Por Gunga Rodrigues
Num dia, Sibine abriu a caixa e não viu mais as lagartas. Fugiram, logo pensou, e telefonou para a vovó, para contar o ocorrido. Vovó foi até a casa de Sibine, pois sabia que era hora de lhe mostrar uma novidade. Abriram a caixa e, realmente, não havia mais lagartas, porém, na tampa, vários casulinhos estavam pendurados. Vovó explicou para Sibine que, antes de virar borboleta, as lagartas tinham que dormir numa casinha, que elas mesmo faziam, e esperar a fadinha Lêpido passar. Com a mágica da fadinha, as lagartas abriam a casinha e saíam como borboletas. E assim, Sibine ficou esperando. Dia após dia ela abria a caixa e lá ainda estavam os casulinhos. Ansiosa e curiosa, telefonou de novo para vovó. Vovó lhe disse que Lêpido era uma fadinha muito ocupada, mas que não demoraria ir até a caixa de sapato.
Dito e feito! No dia seguinte, quando Sibine abriu a caixa, várias borboletinhas brancas saíram voando. A menina ficou maravilhada e ainda viu uma lagarta preguiçosa abrir a casinha e esticar as asas, antes de sair voando. Na mesma hora, ela correu na casa da vovó e, esbaforida e feliz, contou para ela quantas borboletas tinham saído. Só estava um pouquinho triste, pois não vira a fadinha. “Ah, Sibine!”, disse a vovó, “a fadinha Lêpido é muito ligeira! A gente não consegue ver ela, não! Tem muita casinha de borboleta para ela visitar num dia. Ela não pode perder tempo”.
Numa noite quente, antes de dormir, entrou uma bruxa pela janela do quarto de Sibine. Sua mãe ficou apavorada, querendo logo dar cabo da mariposa, mas a garotinha a repreendeu: “sossega mamãe, a fadinha Lêpido é boazinha e não solta bicho malvado. Essa borboletona só veio me ver pra dizer boa noite!”


