Sibine e a fadinha Lêpido

 

Por Gunga Rodrigues

Sibine é uma garotinha esperta e muito curiosa. Um dia, na horta da vovó, ela viu numa folha de couve, varias lagartinhas esverdeadas lado a lado. Não ficou com medo, não, e perguntou para a vovó o que era aquilo. Vovó lhe falou que eram os filhotinhos de uma borboletinha branca, que gostava de visitar sua horta. Então, vovó pegou uma caixa de sapato, colocou a folha com as lagartinhas dentro e disse para Sibine cuidar delas, até elas virarem lindas borboletas. Sibine levou a caixa para casa, junto com um maço de folhas de couve de comida. Todo dia ela abria a caixa para ver as lagartas e dava uma folha de couve para elas comerem. De pequenininhas, as lagartas ficaram grandonas. Sibine agora tinha que dar duas folhas para elas comerem, pois uma só não chegava.

Num dia, Sibine abriu a caixa e não viu mais as lagartas. Fugiram, logo pensou, e telefonou para a vovó, para contar o ocorrido. Vovó foi até a casa de Sibine, pois sabia que era hora de lhe mostrar uma novidade. Abriram a caixa e, realmente, não havia mais lagartas, porém, na tampa, vários casulinhos estavam pendurados. Vovó explicou para Sibine que, antes de virar borboleta, as lagartas tinham que dormir numa casinha, que elas mesmo faziam, e esperar a fadinha Lêpido passar. Com a mágica da fadinha, as lagartas abriam a casinha e saíam como borboletas. E assim, Sibine ficou esperando. Dia após dia ela abria a caixa e lá ainda estavam os casulinhos. Ansiosa e curiosa, telefonou de novo para vovó. Vovó lhe disse que Lêpido era uma fadinha muito ocupada, mas que não demoraria ir até a caixa de sapato.

Dito e feito! No dia seguinte, quando Sibine abriu a caixa, várias borboletinhas brancas saíram voando. A menina ficou maravilhada e ainda viu uma lagarta preguiçosa abrir a casinha e esticar as asas, antes de sair voando. Na mesma hora, ela correu na casa da vovó e, esbaforida e feliz, contou para ela quantas borboletas tinham saído. Só estava um pouquinho triste, pois não vira a fadinha. “Ah, Sibine!”, disse a vovó, “a fadinha Lêpido é muito ligeira! A gente não consegue ver ela, não! Tem muita casinha de borboleta para ela visitar num dia. Ela não pode perder tempo”.

Agora que Sibine conhecia a mágica de Lêpido, toda lagarta que ela via no quintal da vovó, colocava numa caixa de sapato. Viu que das perigosas pantufinha e cachorrinha, saíam borboletas feiosas, que vovó explicou que eram mariposas, que não precisavam ser coloridas pois só voavam de noite. Já da feia lagarta da laranjeira, viu que saía uma grande e linda borboleta. Da grossa lagarta preta com listras amarelas do manacá, saía uma delicada borboleta amarela com listras pretas e da grande lagarta da mandioca, que vovó chamava de mandarová, saía uma mariposa parecida com um beija-flor. Mas Sibine se espantou mesmo foi com uma lagarta da bananeira. Pegou ela pequeninha e muita folha teve que dar, até a lagarta ficar bem grandona, maior que sua mão. Da casinha da lagarta, saiu depois uma enorme borboleta, que tinha olhos de coruja nas asas. O corujão-da-bananeira, lhe disse a vovó!

Numa noite quente, antes de dormir, entrou uma bruxa pela janela do quarto de Sibine. Sua mãe ficou apavorada, querendo logo dar cabo da mariposa, mas a garotinha a repreendeu: “sossega mamãe, a fadinha Lêpido é boazinha e não solta bicho malvado. Essa borboletona só veio me ver pra dizer boa noite!

 
A bruxa