Por Gunga Rodrigues
Uma mosca varejeira verde-metálica zunindo passou veloz por Isalina, que não perdeu tempo.
- Finis mutatio! – gritou a bruxa com o dedo em riste para o moscão.
Mariska apareceu no ar e precipitou-se rolando pelo chão do curral. Porém, rapidamente, sumiu da vista de Isalina, por entre as baias.
- Não adianta querê fugi, jaguara. Temo conta a acertá. O patrão qué algo de ti e isso darei a ele hoje - falava calmamente Isalina enquanto adentrava uma baia.
Um raio esverdeado, estralando feito um corisco, surgiu do fundo do curral em direção à Isalina, quando esta saiu da baia.
- Clausum corpus! – se protegeu Isalina. Uma abóbada alaranjada se formou instantaneamente e o raio ricocheteou em direção ao telhado, com um som de trovão que assustou as vacas do Bigorna.
- Ãhn, ãhn, ãhn, istepori! Táx tola, táx, sua marisquêra pestilenta mirolha?
Um ar de quebranto saiu em direção à Mariska, ofuscando sua visão. Outro raio corisqueiro veio em direção à Isalina, que se abaixou e o mesmo saiu estralando pelo laranjal ao lado. Isalina arrenegou-se e clamou:
- infinitum momentum!
Um silêncio absoluto se fez por tudo. O ar ficou parado e o tempo ficou suspenso. Isalina caminhou calmamente até os fundos do curral. Mariska, estava paralisada, já de vassoura à mão, pronta para fugir.
- Chega de me atormentá, candonguêra! Já que tu finge gostá de fazê caridade, vô te deixá bem boazinha. Anima nigra, vade in tenebras!
As mãos de Isalina, circundando a cabeça de Mariska, se iluminaram com uma intensa luz branca. Um raio vermelho saiu do topo da cabeça da bruxa paralisada e adentrou o solo, deixando uma fumaça de enxofre no ar. Ao receber o feitiço de caritas, Mariska estremeceu e perdeu seu ar de falsidade com que encarava as pessoas. Isalina desfez o feitiço do tempo suspenso e sumiu.
O Bigorna, que estava no curral dando trato às vacas e se escondera quando Mariska chegou, saiu do esconderijo ao perceber que tudo estava calmo. Incrédulo, encontrou a “ex-bruxa”, toda feliz, varrendo o chão do curral.
- Bas noite, seu Bigorna! Achei que esse chão sujo precisava era de uma boa duma varrida...
É mos quiridu, o que Mariska não sabia, é que Isalina tirara 10 com estrelinhas em latim, quando cursou o Liceu. E de feitiço, entendia tudo!
