Chloe e a horta do Vovô

Por Gunga Rodrigues

Chloe é uma menininha meiga e carinhosa que adora visitar a horta do Vovô. Muito esperta e atenta, ela já conhece muitas hortaliças. Sabe que a chicória lança folhas recortadas, que o almeirão tem folha pontuda e as couves, folhas arredondadas. O repolho vira bola nos canteiros e a alface, um botão de rosa. Esquisito mesmo é o maxixe, esse parente do chuchu, que, com pelos duros e espetados, mais parece um baiacu.

Certa abóbora que Vovô plantou deixou Chloe muito intrigada. As casca era grossa e rugosa, como a pele de um jacaré – era uma abóbora-jacaré! De outra abóbora teve medo, pois nela faziam uma careta muito feia e horrorosa. Chloe gostava mesmo era de melão e melancia e seu doce sabor quando comia.

A horta do Vovô também era colorida. Tinha o vermelho dos tomates, o amarelo do pimentão e o roxo da beringela. O branco do nabo, o rosa dos rabanetes e o verde do pepino. Chloe também se encantava com as arvorezinhas brancas da couve-flor e as arvorezinhas verdes do brócolis.

Da terra Vovô tirava batata-doce, baroa e aipim. Do alto colhia vagem, ervilha e quiabo. E do chão pegava acelga, rúcula e agrião.

Chloe uma vez contou ao Vovô que Seu Noura foi reclamar com o Rei Polho que dona ex-Carola não ia mais à missa. O rei ficou preocupado e foi saber com as Al-Faces. A Crespa disse que não sabia, a Lisa que não conhecia e a Americana que não entendia. Desolado, o rei foi procurar dona Chicória, que disse que a Rúcula é que sabia, que por sua vez mandou falar com o Agrião. O Agrião, para não levar bronca, disse que o culpado era o Almeirão, que casou com dona Escarola e foi morar no Maranhão.

Vovô gostou da história e, para Chloe, contou outra. Numa horta muito bonita, morava uma couve já um tanto velha e, por ser velha, já estava muito alta. Bruxelas era seu nome. O caule era duro e comprido e suas folhas ficavam longe do chão. Numa manhã de sábado, Bruxelas viu que plantaram vários pés de repolho em sua volta. Ela gostou da companhia e sob seu olhar vigilante, os repolhinhos cresciam verdes e felizes. Mas de repente, começou a chover. Uma chuva forte que não parava mais. Foi chovendo, chovendo e o chão ficando cheio de água. Bruxelas, do alto de suas folhas, viu que os repolhinhos, que tanto gostava, iam se afogar. Então ela os chamou para subirem pelo seu caule, para escapar da enchente. Os repolhinhos assim fizeram e gostaram tanto de ficar agarradinhos ao caule da Bruxelas, que não desceram mais, depois que a chuva passou. E assim surgiu uma nova hortaliça, a couve-de-bruxelas!