Por Gunga Rodrigues
O Morro do Padre Doutor, donde se tem aquela vista espetacular da Lagoa da Conceição, é repleto de causos ilhéus. Esse eu escutei por lá, na época em que o mirante era pouco mais que uma clareira no mato e a estrada calçada com paralelepípedos.
Mas esse corvo-branco do Morro do Padre Doutor era diferenciado - e não catalogado! Passava boa parte do dia assuntando o movimento nas Sete Curvas, empoleirado escondido entre a ramagem espessa das árvores. Talvez tivesse certeza que algum petisco lhe seria servido pelo rodado preto dos carros. E por estar assim escondido, não era facilmente visto, nem por perspicazes ornitólogos que por ali passavam. Porém, o mais incrível é que, à noite, ele ganhava os céus. Até parecia uma rasga-mortalha! Voava até a Galheta e lá desaparecia.
Desde então, há tempos em que o corvo-branco some e outros em que reaparece. Talvez retorne quando Rosa Maria vem procurar, no mar, seu amado pescador; ou então, quando apenas vem matar as saudades de sua bela Ilha da Magia.


