Por Gunga Rodrigues
Perto do mar, Thalia encontra as canelas – que não são daquela de por no mingau! Tem canela de tudo quanto é tipo. Tem a amarela, a rosa, a branca e a preta. Tem a do mato, do brejo, do campo e do córrego. Tem as de bichos, como a do corvo, de cutia, de veado e de raposa. Tem ainda a guaicá, a caroba e a vassoura. Tem canela bem cheirosa, mas também tem canela bem fedida. Um fedor de não ficar perto!
Árvore com nome de pau, então é o que mais tem. Pau-marfim, pau-mulato, pau-ferro, pau-d’arco, pau-pereira, pau-jacaré e tantos outros. Tem até o pau-brasil, que emprestou seu nome para o País. Tem árvore que dá madeira: angelim, angico e peroba; tem árvore que dá fruta: cambucá, goiaba e araçá; e tem árvore que dá flor: manacá, ipê e jacarandá. Mas Thalia gosta mesmo é das árvores que dão coisas aos macacos: pente-de-macaco, cachimbo-de-macaco, fruta-de-macaco, orelha-de-macaco e rabo-de-macaco...
Árvores com nomes esquisitos também tem um montão. Ajuru, batão e cajuru; embira, faveca e guaperê; ichuá, ivapovó e jitó; mandovi, moxoxó e muqém. Nesse alfabeto todo, não falta ninguém!
Thalia gosta de contar que, muito antes das árvores terem nomes, elas estavam todas reunidas numa grande floresta. Viviam ali felizes, esticando suas raízes pelo chão. Porém um dia chegou um beija-flor com um recado urgente da juçara, para o joão-dormindo, dizendo que a barriguda já ia ter neném. As árvores então ficaram agitadas e nervosas. Quem é essa juçara, perguntavam algumas. Eu não conheço nenhuma barriguda, diziam outras. Se o joão ‘tá dormindo, temos que acordá-lo, se preocupavam outras mais. O zum-zum-zum das árvores foi tanto, mas tanto, que o chegou até o céu e acordou um anjinho que lá dormia, bem tranquilo e quentinho, numa nuvenzinha bem fofinha. O anjinho olhou para baixo, viu toda aquela confusão e veio ajudar as árvores. Ele logo descobriu que elas ainda não tinham nomes e por isso não sabiam quem era quem. Então ele falou para as árvores fazerem uma fila e foi dando nome a elas, uma por uma. O anjinho olhava a árvore, via o que ela parecia e dava o nome. E assim ele foi nomeando, árvore por árvore. Só que a fila era muito grande e, quando os nomes bonitos que sabia acabaram, ele começou a inventar qualquer nome, ficando os nomes mais esquisitos para as últimas da fila. Mas ao final, todas tinham seu nome e o beija-flor, até que enfim, pode dizer para o joão-dormindo, que a juçara pediu para avisar, que sua esposa barriguda já ia ter neném.