Piri-lampinha e as carochinhas

Por Gunga Rodrigues

Vô Lico está na praia, passando temporada. Foram junto as netas Lili, Nique e Lara. As três estão naquela idade da pergunta, querendo mil e uma explicações sobre tudo que está ao seu redor. Já anoiteceu e Vô Lico chamou as três para darem uma volta na praia. Com sorte veriam vaga-lumes. Vaga-lumes? Sim, carochinhas que acendem uma lampadinha quando voam de noite! Por ora essa explicação era suficiente, e lá foi Vô Lico com as três fazendo folia.

Chegaram na praia e começaram a caminhar pela da borda da restinga. Se tivesse vaga-lume, era por ali que estariam. E não demorou muito para aparecer um daqueles pisca-pisca. As meninas ficaram fascinadas, afinal nunca tinham visto. Pediram para Vô Lico pegar o vaga-lume e ele disse te tinham que esperar ele pousar. Mas o bichinho seguiu seu voo, indo para longe deles. Continuaram caminhando e apareceu outro. Pisca daqui, pisca dali, pisca acolá. Eles acompanharam as piscadelas, até que o bichinho pousou. Vô Lico foi ligeiro e conseguiu prender o vaga-lume entre as palmas da mão. Com cuidado ele segurou o bichinho entre os dedos e Lara, a mais velha, ligou a lanterna do celular. Vô Lico mostrou às meninas o vaga-lume. Era um besourinho meio triangular, marrom-amarelado. Lili quis saber onde estava a lampadinha. Na sua imaginação o bicho carregava uma pequena lâmpada, que nem as da cozinha. Então Vô Lico virou o bicho de barriga e mostrou onde acendia. Mas ali era o bumbum do bicho, espantou-se Nique. Sim, era um bumbum que acendia e apagava. Mas por que tinha que ser no bumbum, quis saber Lili decepcionada. É porque o bumbum é a maior parte do corpo, explicou Vô Lico. Se a lampadinha fosse na anteninha, seria muito pequenininha e não iluminaria nada. E como que o bicho tem essa luzinha, já perguntou Lara, esperando uma explicação convincente.

Ah, essa luzinha, começou Vô Lico, foi dada a essas carochinhas muito antes da gente nascer. Era uma época que não existia luz de poste e nem gente por perto. Quando era de noite, ficava tudo bem escuro, de não se enxergar nada. E essas carochinhas tinham medo do escuro. De dia elas saiam para passear, mas, se não voltassem antes de escurecer, elas ficavam com muito medo no mato. E teve um dia que três carochinhas saíram para passear. A Lili, a Nique e a Lara. Elas foram visitar uma amiga que morava muito longe. Ficaram brincando com a amiga a tarde inteira e não notaram o tempo passar. Quando vieram embora, não deu tempo de chegar em casa e escureceu. As três carochinhas ficaram com muito medo e o mato onde elas estavam ficava cada vez mais escuro. Daí, elas começaram a chorar.

Mas aquele mato era a casa da fadinha Piri-lampinha. Já ouviram falar dela? A Piri-lampinha era uma fadinha que tinha luz nas mãos. Tudo que ela queria ver no escuro ela acendia as mãos e enxergava. E a Piri-lampinha começou a escutar o choro das carochinhas. Ela foi seguindo o barulho e encontrou as três carochinhas. A fadinha quis logo saber por que estavam chorando. Lara, que era a carochinha maior, disse que elas não conseguiram chegar em casa e que agora estavam com muito medo do escuro. Se ao menos elas tivessem uma luzinha para se guiarem no caminho, elas chegariam em casa... Piri-lampinha ficou com dó das carochinhas e disse que ia fazer uma mágica para elas terem uma luzinha. E para que a luz fosse bem forte, ela teria que ser no bumbum. As carochinhas concordaram. Então, a fadinha tocou com seu dedo luminoso o bumbum da cada carochinha e esses viraram uma luzinha. Piri-lampinha ainda disse pras carochinhas não deixarem a lampadinha acesa o tempo todo, senão o bumbum ia ficar fervendo. E foi assim que surgiram os vaga-lumes. Vô Lico abriu a mão virada para o alto, o vaga-lume subiu até a ponta do dedo, abriu as asas, acendeu o bumbum e saiu voando.

De volta em casa, vovó Nena quis saber como tinha sido o passeio. Lara contou que viram muitos vaga-lumes e que vovô explicou de onde veio a luzinha deles. Lili, a menorzinha já interrompeu dizendo: “eu gosto mesmo é de sair com o vovô. Ele conta história de fadinha. Já a vovó, só sabe história de bruxa!