Medo de assombração? Fique longe da Ponta do Coral

Por Gunga Rodrigues

Eu sou um desses raros cagões que se péla de medo do escuro. Desde pequeno! Até por isso, não assisto filme de terror à noite, pois sei que depois não conseguirei dormir. Da cama, fico ouvindo tudo quanto é tipo de barulho esquisito pela casa, com aquele “medo constante de que algo esteja por perto” (Fear of the dark). À noite, também não entro em cemitério e nem em qualquer lugar que suscite alma penada!

A Ponta do Coral, por exemplo... Sim, dizem que é um dos lugares mais assombrados de Floripa. Sei que tem o Instituto Estadual, o Colégio Catarinense, o Hospital de Caridade, mas a Ponta do Coral ganha disparada. Basta adentrar aquele lugar para sentir o “ar pesado”. Acho que por isso nada deu certo lá... Sabe aquele lance da caveira de burro enterrada? É inexplicável! Ou melhor, acho que explicável: a proximidade com as Ilhas dos Guarazes!

Os Guarazes são duas ilhotas na Baía Norte, defronte ao Saco Grande, sendo uma pequena e outra maior. Essa maior, lá nos antigamente, tornou-se a solução para a antiga Desterro dar cabo dos “indesejados”. Primeiro, serviu de local para quarentena de imigrantes, em seguida, foi tosco presídio, depois instalaram ali um leprosário. Mais tarde, durante a Segunda Grande Guerra, voltou a ser presídio. Já dá pra imaginar quanta alma penada ficou por lá, não?

Alma penada é chamariz pra bruxa, pra fazer magia negra. E dizem que pelos Guarazes elas sempre apareciam, montadas nas suas vassouras ou nos maridos transformados em cavalo. Mas Isso, até um médico de origem alemã, lá preso durante a guerra, fugir a nado até a Ponta do Coral e assim, ensinar o caminho para as almas penadas. Fugindo das bruxas, várias delas se esconderam e ficaram pela Ponta do Coral. Assim, tem neguinho que jura ter visto, entre os ranchos de pescador, o vulto de um homem vestido com uniforme de presidiário. Outros dizem ter visto o vulto de um velho lazarento, medonho que só! Tem ainda relatos do fantasma de um corsário, do inspetor chefe e até da enfermeira gorda. Mas o mais assustador é o da pequena Adália, uma açorianinha, de três aninhos, que ganhou sepultura na ilha, quando aqui chegou já doente. Dizem que a fantasminha em si não faz nada, só aparece. Mas o vivente que vê seu rostinho triste sente tanta dó no coração, que chora apavorado. Quem assistiu “O Ilusionista” sabe do que tô falando. Valha-me São Tomás de Aquino!

Felizmente, hoje, nos Guarazes, funciona uma base do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Com esse espaço destinado a tão nobre missão, tudo quanto era alma penada e bruxa não vagueia mais por lá. Só que a Ponta do Coral continua assombrada, ah isso continua... Não me convidem para ir lá depois das seis!
 
A Ponta do Coral, com os Guarazes um pouco adiante